Quem faz análise? Onde mora, o que come, o que faz?

Voltando a série de posts sobre análise, quem é aquele que busca uma análise?

Bom, muitas vezes temos a tendência a pensar que é preciso estar nas últimas consequências para “se dar o braço a torcer” e enfim “buscar ajuda”.

Mas será que a análise se trata disso?

Para mim a análise se trata muito mais da gente se responsabilizar sobre nós neste mundo, nesta vida, pela vida que temos e pelo caminho que seguimos.

Nos responsabilizarmos sobre nós mesmos apesar e através de tudo aquilo que nos atravessa e nos afeta.

É sobre termos o tempo para nos ouvirmos e nos acolhermos de forma cuidadosa em alto e bom som.

É sobre ouvirmos a nossa voz, reconhecermos a nossa singularidade e respeitarmos quem somos.

É sobre nos aproximarmos dos nossos pontos cegos.

É sobre nos aproximarmos das nossas dores e dos nossos amores.

É sobre darmos um passo a mais para que a vida não seja uma resposta infinita ao que nos passa, ou uma repetição das mesmas estratégias.

Mas uma construção de uma forma mais cuidadosa e responsável que vai se dando conta que a vida vai nos colocar sim em situações que não, não são as que gostaríamos mas que temos a responsabilidade ética consigo mesmos de não mais agirmos batendo o pé e se rebelando, e também não se culpando, mas se cuidando e acolhendo, e podendo então pensar como se cuidar nesse atravessar.

Muitas vezes esperamos o pior, a corda estar prestes a arrebentar, ou nosso corpo não mais aguentar.

A verdade é que não queremos assumir que é difícil demais ser humano, é difícil demais viver.

Mas a verdade é que é difícil fazer análise, mas talvez seja mais difícil não fazer.

“O objetivo de uma Psicanálise é tornar visível ao sujeito sua própria singularidade e que então ele possa se situar frente a ela.” Collete Soler

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