Bom, quem me acompanha por aqui há mais tempo, já está careca de saber que o online já faz parte do meu trabalho há uns quatro anos, e que antes disso já comentei que pensava sobre pensando principalmente em brasileiros que moram em outros países.

Afinal, pra que serve o online (na vida como um todo, inclusive) se não for pra ser ponte para possibilidades frente asq impossibilidades?

Mas, para muitos o online aparece como algo da perda, do jeitinho, do “não tão certo assim”.

Mas o que dizer sobre o atendimento de pessoas que se encaixam em um contexto não convencional?

Moram em países onde não é tão possível encontrar um analista que falasse português.

Que moram em cidades mesmo no Brasil que não existam profissionais que forneçam o trabalho analítico que estão buscando.

Tem uma rotina em que ir a um atendimento semanal em um consultório não se faz possível.

Ou até mesmo porque querem continuar o atendimento com seu analista depois de uma mudança de país ou cidade?

Possibilidades! E minha questão sempre foi por que não?

O dispositivo da análise é a linguagem, o que precisa estar presente em um processo analítico é a disposição a entrar em contato consigo mesmo e as suas questões.

É preciso associar livremente, falar.

É importante um ambiente seguro e acolhedor? Sem dúvida alguma! É garantia que o processo irá acontecer? De maneira alguma.

Uma pessoa que faz o atendimento online não se prepara para o atendimento? Não é possível ter um setting adequado dentro do possível?

E mesmo quando não é tão possível, será que por vezes a angústia não está tão grande que já não é mais do que suficiente para possibilitar? Sem dúvida.

Ao longo dos anos aqui no Instagram tenho vários posts sobre o atendimento online. Como já disse, não acredito que seja da ordem da comparação com o no consultório: melhor, pior, ideal, favorece, não favorece, se dá certo ou não dá.

Tudo o que comparamos só temos a tendência a cair em um raciocínio cartesiano que mais atrapalha e põe juízo de valor e conservadorismo do que qualquer outra coisa.

Em tempos de uma sociedade que está tão tomada por mudanças que fogem de tudo o que já imaginamos, a palavra de ordem deveria ser a de pensarmos em como podemos criar pontes para possibilitar que haja menos sofrimento.

Sem comparar, afinal o ideal muitas vezes é impossível.

Devemos dizer e agora, como?

E o como muitas vezes precisa ser o online.

Antes o online do que nada.

Melhor o online, do que o sofrimento sem escuta.

Diante do sofrimento o acolhimento deve é chegar! E eu posso dizer pela minha experiência que no online o acolhimento chega, o inconsciente trabalha e a análise se dá.

Não dá pra todos, mas o que é que dá?

“Lembre-se de que, em última instância, o setting não é condição nem garantia de nada.
Uma análise ou uma terapia acontecem pelas palavras trocadas e pelas relações que elas organizam, não pelas disposições dos traseiros dos interessados.”

Contardo Calligaris – Cartas a um jovem terapeuta

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