terapia

Levar tempo, ser demorado…

1 minuto pode ser eterno ou pode ser rápido. Pode ser completamente insignificante ou ser um marco na vida de alguém.

Tempo é relativo. Da mesma forma que tempo e dedicação são importantes.

Nós somos o desaguar das águas (experiências) de toda uma vida e até mesmo do que foi antes de existirmos – seja pensando na história da nossa família ou da sociedade como um todo.

Muitos chegam no momento de procurar um psi com uma queixa para ser resolvida ou buscando um ideal.

Aí eu pergunto: Resolvida? Ideal?

Quando começamos um processo de análise e começamos a puxar os fios que fazem parte do emaranhado das nossas vidas percebemos que somos muito mais do que algo que precisa ser ajustado.

Nos damos conta que temos muitas coisas para dizer, para ouvir, para acolher, para reconhecer, para estranhar, para descobrir e se dar conta.

Esse movimento todo vai pra além de uma promessa de x sessões para se resolver…

Algumas vezes até nos damos conta que algumas coisas que se transformaram em questões problemáticas por uma série de situações e não necessariamente por que o são.

Já outras, assim como um pé tamanho 40 (que até onde eu sei ainda não existem cirurgias estéticas para diminuição), a gente aprende a encontrar um jeito de lidar que não seja só pela via do incômodo e da rejeição. Por que elas simplesmente o são.

Outras são dores tão profundas que acabaram tomando forma e recebendo nomes e precisam ser desconstruídas, cuidadas e acolhidas.

E claro que existem coisas que temos todo o direito de querer que mudem – e que bom que podemos mudar!

Mas se não colocarmos em um contexto, e tentarmos simplesmente mudar o que está a vista sem considerarmos como se deram, corremos o risco que venha se repetir.

Nos permitirmos entrar em um processo de análise é nos dedicarmos a nós mesmos em um caminho de uma vida.

E este é um caminho completamente diferente de nos vermos como algo com defeito que precisa ser arrumado.

O psicanalista Christian Dunker bem diz em um artigo:

“Uma tarefa finita e uma atividade infinita.”

Isso não quer dizer que iremos em um consultório para sempre, mas que ao longo desse movimento da vida, sempre será bem cuidadoso da nossa parte continuarmos o movimento de se analisar.

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