E com relação ao valor? Ao preço? A ser cara?

Vivemos em uma sociedade em que o dinheiro é a moeda de troca.

Usamos o dinheiro para termos acesso a praticamente todos os serviços que se fazem necessários no nosso dia a dia pelos mais diversos motivos.

Mas apesar de todos nós estarmos inseridos nessa sociedade, nem todos nós temos as mesmas possibilidades financeiras.

Aquele que está ocupando o lugar de analista estudou – e estuda muito – não é uma simples conversa. Logo, ele precisa ser remunerado por isso.

Aquele que busca uma análise precisa então pagar. Mas quanto?

Trabalho pela mesma vertente que muitos analistas que conheço – que é no caso a caso – justamente pensando nas questões que mencionei: nem todos tem a mesma possibilidade e a análise precisa ser paga pela via daquilo que cabe a na realidade de cada um e que se faz significativo.

Penso então que o analista e o candidato a análise devem discutir o quanto vai ser possível para ambos os lados.

Lembrando sempre que para aqueles que não tem como mesmo dispor de um valor existem instituições e profissionais sérios que realizam atendimento com valor baixo – ou até mesmo de forma gratuita. Além de profissionais que disponibilizam horários com valores sociais – que para aquele que vai buscar a análise pode ser tudo o que pode pagar.

Agora deixando as questões práticas de lado, vamos pensar sobre algo que pesa para muitos: o pagar. O direcionar esse dinheiro para saúde mental.

Já ouvi muitas vezes: eu tenho outras prioridades, não posso gastar com isso, tenho que me virar sozinho e não depender de ninguém e tantas outras frases do gênero.

Bom, eu concordo que temos noutras prioridades – mas até que ponto uma coisa anula a outra?

Concordo que não temos que depender do analista. E quem disse que se depende do analista?

Acho que nenhuma dessas razões precise entrar em conflito com o valor da análise nas nossas vidas.

Eu inclusive tenho pra mim: o dinheiro economizado na análise vai repercutir como na sua vida em uma momento de sofrimento?Ou a longo prazo diante desse não investimento em si mesmo? Em se ouvir?

“Para a classe média, o gasto de dinheiro exigido na psicanálise é excessivo apenas na aparência. Sem considerar que são incomensuráveis, de um lado, saúde e capacidade de realização, e, de outro, um moderado dispêndio financeiro: somando os gastos infindáveis com sanatórios e tratamento médico e contrapondo a eles o acréscimo da capacidade de realização e aquisição, após uma terapia analítica bem-sucedida, pode-se dizer que os doentes fizeram um bom negócio. Não há nada mais caro na vida que a doença
— e a estupidez.”

Sigmund Freud – Sobre o início do tratamento

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