Nos últimos anos eu sempre tenho escrito sobre a maternidade não romantizada no dia das mães, afinal, ser mãe mesmo sendo uma realização de um sonho é difícil em muitos aspectos e exige da mulher abertura para questionar e para poder colocar em palavras a angústia presente para que então a partir desse movimento uma nova forma de lidar com a realidade possa surgir…⠀

Também sempre penso que para algumas outras pessoas a maternidade está longe de ser a realização de um sonho e é algo que assusta, preocupa e até mesmo se faz questionar… Será que tem algo errado comigo? E quando esse questionamento vem depois que o filho nasceu?!⠀

No outro lado da moeda: o ser filho, principalmente ao ver aqueles que nesse momento fazem mil e uma declarações, para muitos esse momento também pode ou acaba de fato sendo muito difícil, pois em suas vidas passaram infinitas dificuldades com suas mães e essa data pode trazer tudo a tona.⠀

E a mãe que já se foi? Ou os filhos que já se foram?⠀

Sempre que uma data como essa chega eu penso em como não há um só cenário de como se experiencia um papel. Cada um de nós somos únicos… E por sermos únicos precisamos nos responsabilizar pelo que vamos fazer com nós mesmos apesar das experiências que passamos ao longo da vida.⠀

Isso quer dizer agradecer a tudo e ser grato pela situação em si? Olha… Eu acho esse pensamento muito complicado.⠀

Penso mais em como assumir a dor do que vivemos e tomarmos pra nós a responsabilidade de fazermos mais com a nossa vida do que uma situação aponta como consequência. ⠀

É ver na crise a possibilidade de auto cuidado e de passo a passo transformação.⠀

Não no sentido vago, quase frase de caminhão, mas transformação no sentido de quero ser mais do que isso pode ter o poder de me determinar, dói, mas eu quero mais… ⠀

E aos poucos ir tomando as rédeas e permitindo-se construir um novo caminho, uma alternativa, ou melhor, alternativas.⠀

Num dia que para muitos seria de comemoração e que está sendo tão diferente, numa época em que tudo está tão diferente… Que a gente possa ir a além, para cuidar de quem somos e quem amamos em meio ao caos.⠀

Se a saudade está enorme, pense que a decisão ou o imperativo de estar longe não precisa ser o imperativo de uma não relação. Como amar de outra forma sendo que o amor está presente mesmo se não estamos presentes fisicamente?