Hoje já fiz supervisão, fiz também um grupo de estudos que tenho semanalmente com outras amigas psis, e mais tarde iremos “inaugurar” um grupo de psis que estão por aí nesse mundão (Brasil, França, Canadá, EUA, Chile…) e não teve jeito, tudo isso foi também girando em torno do momento em que estamos vivendo: esse isolamento, esse momento de incógnita frente a esse desconhecido que é o dia de amanhã.

O amanhã nunca foi conhecido… Tudo o que sempre tivemos foram apostas: apostas sobre podermos realizar nossos sonhos, de podermos seguir os nossos planos, de podermos fazer nossas coisas e seguir com as nossas rotinas…

Mas hoje o real se mostra e nos lembra que de fato o que temos é o nosso presente, presente castrado como falamos na Psicanálise, ou seja, limitado a realidade que se impõe e nos convidando a “darmos o nosso jeito” frente ao que temos diante de nós.

E é interessante pensar por que para alguns as coisas são mais leves, por que pra outros são preocupantes, por que mesmo dentro da preocupação cada um age a sua maneira e mesmo no meio de uma posição mais leve ninguém age da mesma forma.

Tudo o que vivemos até hoje nos constitui e faz parte de como encaramos a vida. Quando falamos sobre todas essas angústias é que podemos nos desvencilhar daquilo que nem sabemos ao certo nomear e deixarmos de sermos levados pelo insconsciente e sermos pouco a pouco mais e mais responsáveis por nosso viver… Deixamos de agir pela repetição e pela angústia e podemos ao nomear, ao questionar e ao pensar criar caminhos novos frente e através do que sentimos, vivemos e sofremos.

Permita-se entrar em contato, permita-se enfrentar… Aquilo que não é tocado não deixa de existir por conta da nossa evitação ou negação, muito pelo contrário…

Fica alí como um elefante branco.

Nesse momento delicado olhar pra dentro para enfrentar aquilo que se faz tão novo e desafiador é essencial para a nossa saúde mental!

Nós psis estudamos e nos preparamos sempre para ser esse lugar de escuta, em um momento como esse mais do que em qualquer outro estamos disponíveis. Não se deixe levar pelo medo do valor (estamos aqui para falar de tudo, inclusive da sua situação financeira), nem por achar que é bobagem ou que deve ter alguém sofrendo mais do que você.

Todo sofrimento merece ser cuidado, independente do que outra pessoa está sentindo. Somos únicos e a nossa dor dói!